Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

O favorito ao título brasileiro. Alguém viu?


É curioso como o futebol brasileiro tem vários momentos numa mesma temporada. No início do ano apontávamos algumas equipes como possíveis postulantes ao título brasileiro. Passados alguns torneios (que pra algumas pessoas nem possuem tanta importância assim) o panorama já é outro.

Equipes consideradas com um trabalho sólido que garantiriam um 2009 positivo, já se vêem numa situação desconfortável. Técnicos que estavam tranqüilos nos seus cargos, já não estão mais. Equipes que eram vistas com certa desconfiança, hoje são exemplos de trabalho bem feito. E pra sermos mais direto, algumas zebras posam entre os líderes do BR’09, como é o caso do Barueri na quinta posição.

Eu por exemplo, duvidaria que o São Paulo, fosse passar (justo agora) por uma fase como a que vem passando, por acreditar no trabalho sério e firme da diretoria que normalmente não peca com a falta de planejamento. Fui pego de surpresa com a demissão de Muricy Ramalho após a eliminação para o Cruzeiro na Taça Libertadores da América. Hoje, o atual hexa campeão brasileiro ocupa a 14ª posição e não inspira o mínimo crédito de que vá promover uma arrancada como aconteceu no ano passado.

E o Cruzeiro que pode se sagrar tri campeão da Libertadores nessa semana, desponta, no momento, como uma das melhores equipes do país (pelo menos na minha visão). A 16ª colocação no Brasileirão é algo meramente ilustrativo, já que as atenções se voltam para o torneio continental. No início da temporada, com uma equipe já bem entrosada e demonstrando um bom futebol, além de contar com um excelente treinador, podiam-se esperar resultados satisfatórios da Raposa. O Campeonato Mineiro foi conquistado com uma goleada (mais uma vez) frente ao rival e como dito, o troféu mais cobiçado da América pode ir para a Toca.

E por falar em Campeonato Mineiro, uma equipe que muita gente não dava nada é o Atlético-MG. Começou o regional de forma arrasadora liderando grande parte da competição. Chegou à final com a presença de “agora vai...” E não foi... Pelo segundo ano consecutivo foi goleado pelo Cruzeiro. A desconfiança em cima do time e de Emerson Leão ficou forte e a pressão insustentável. Com a chegada de Celso Roth, a imagem do Galo não mudou muito. “Uma equipe que vence os pequenos, mas perde dos grandes”. Assim vinha sendo taxada a equipe atleticana. Mas por ser cedo ou por competência própria, esse time completamente irregular nas mesas de apostas lidera o Brasileirão.

E essa liderança do Campeonato Brasileiro, podia estar nas mãos do Internacional (segundo colocado). A equipe colorada vinha enchendo os olhos de muitos cronistas e se firmava cada vez mais como a mais forte do país nessa temporada. O setor ofensivo com Taison, D’Alessandro e Nilmar era o mais temido pelos adversários. Tudo levava crer que Tite tinha acertado a mão no esquema de jogo. Veio o caneco o gaúcho e a certeza de que esse era um clube que iria impor uma superioridade no nacional. A vice-liderança mostra que isso não está tão distante do que se esperava, mas nem tudo são flores como era a um tempinho atrás. O técnico está sendo questionado. O time não impõe mais o temor que impunha. E a Copa do Brasil ficou nas mãos do Timão.

O Corinthians por sua vez, com Ronaldo e Cia, não começou a temporada sendo cotada entre as melhores do país, entretanto, os gols do Fenômeno e as conquistas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil já mudaram essa visão sobre o time do Parque São Jorge. O belo trabalho de Mano Menezes está sendo cada vez mais exaltado. (para o comentarista da TVGlobo, Júnior, o técnico corintiano é o melhor do Brasil. Leia na sua entrevista publicada no post abaixo) E podemos dizer que hoje, tem o setor ofensivo mais temido pelos adversários com Dentinho e Jorge Henrique como pontas e o eterno camisa 9 empurrando para o fundo das redes.

Diante disso, podemos até imaginar que com a era de pontos corridos o futebol brasileiro segmente o número de equipes a disputarem o título brasileiro. Mas isso não quer dizer que poucas equipes se manterão sempre dentro de uma regularidade enquanto outras ficarão por baixo. O anteriormente soberano São Paulo vai mal. O líder de hoje não chega a ser o favorito ao título. E assim caminha a disputa nacional: completamente indefinida e aberta para as surpresas.

[Fotos: Terra]

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Papo firme com Júnior


Postado no Futebol & Arte
Escrito por André Rocha

Leovegildo Lins da Gama Júnior, 55 anos recém completados no último dia 29, é um dos maiores craques da história do futebol brasileiro. Nos campos, desfilou sua classe e liderança de 1974 a 1983 no Flamengo, Torino, Pescara e seleção brasileira. No futebol de areia foi o craque que popularizou o esporte. Também foi observador da seleção brasileira em 1994, teve uma passagem relâmpago como técnico do Corinthians em 2003 e foi dirigente do Flamengo em 2004.

Hoje é comentarista de futebol e, depois de experiências na TV Bandeirantes, Record, e SporTV, no qual trabalhou nas Copas do Mundo de 1998 e 2002, está na TV Globo. Na internet, Júnior tem seu próprio site e o blog “Visão de Jogo”.

Em um autêntico e literal papo de boteco em Copacabana com este que escreve e Wilson Hebert, Júnior respondeu perguntas para um livro de Mauro Beting que será lançado ainda este ano (novidades em breve!) e gentilmente atendeu o Futebol & Arte. Confira os melhores momentos da entrevista

O blogueiro

Eu não sou aquele blogueiro assíduo, porque você dá espaço, mas não tem como discutir o futebol. Sempre aparece o fanático que vai protestar se você escrever algo sobre o seu time de coração com que ele não concorde. A minha resposta para eles são os meus comentários na TV, que não têm um peso diferente seja lá para quem for. Algumas pessoas que comentam até te incentivam a continuar escrevendo, mas é difícil lidar com quem coloca a paixão muito acima da razão. Eu gosto de aprender, mas essas pessoas acrescentam muito pouco.

Mas também tem o outro lado. Quando o jornalista diz que o jogador é um perna-de-pau ele está cometendo um erro grave. Porque quem vira jogador profissional no Brasil tem que ser respeitado, pois todos querem ser e poucos conseguem. Você dizer que o cara não é tão qualificado é uma coisa. Falar que é perna-de-pau é humilhação. E se for um jogador folclórico, o comentarista compra uma briga complicada, porque são figuras queridas e carismáticas. Vai humilhar o Biro-Biro perto de um corintiano! Essas figuras emblemáticas dos clubes você não pode mexer muito. Como diz o Armando Nogueira: “Você pode criticar sem ofender e elogiar sem bajular.” Eu sempre levo esse ensinamento do mestre comigo. O André Rizek criou para ele um monstro, porque aonde ele for será lembrado como o cara que humilhou o Obina (entenda o caso aqui).

O comentarista

A visibilidade aumenta muito na TV aberta. No meio do futebol nem tanto, porque as pessoas assistem à TV fechada. Por exemplo, eu fui a Porto Alegre para a final da Copa do Brasil e o rapaz do credenciamento me entregou o adesivo da SporTV. Foram cinco anos por lá, né? Eu fiz as copas de 1998 e 2002 por lá.

Na TV aberta você fala para um público muito mais abrangente. Às vezes uma senhora me para na rua e diz que eu falei algo no jogo que ela conseguiu entender melhor o esporte. E isso é muito legal, é algo novo. Porque no SporTV eu não precisava me preocupar tanto com isso. Ali o trabalho era falar de tática, de detalhes do jogo para quem gosta do esporte. Agora a velhinha está fazendo tricô, vendo o jogo e me ouvindo.

A Globo tem uma dimensão diferente. Eu passei por Bandeirantes, SBT e Record. E nada se compara com a Globo em termos de repercussão. Na final da Copa do Brasil em Porto Alegre, o Ibope apontou 45 para a Globo, 13 para a Record e 9 para a Bandeirantes. Para o comentarista isto não faz muita diferença, mas para o narrador é como se fosse uma injeção de ânimo. Ou para você se estimular com a alta audiência ou para tentar puxar para cima se ela estiver baixa.

Carreira de treinador

Na verdade, eu nunca tive essa pretensão. Eu virei treinador do Flamengo em 1993 por uma espécie de “convocação”.

Às vezes dá vontade de voltar para a beira do campo, até porque eu vejo os caras fazerem cada besteira! (risos) Cada função tem seus pros e contras. Quando você é jogador, pode decidir dentro de um conjunto. Como treinador, o seu trabalho fica mais limitado. A verdade é que valorizaram demais o técnico. O trabalho é durante a semana, é o estudo.

Passagem relâmpago pelo Corinthians em 2003

Eu não gosto de bagunça. Fui pelo projeto, não pelo salário. Se tivesse ido pela grana não teria saído. Teria ficado lá “roubando”, como disse para eles na época. Quinze dias foram suficientes para eu ver que não tinha projeto nenhum (oficialmente foram 11 dias de trabalho, o mais breve de um treinador na história do Corinthians). Era uma bagunça completa. O meu diretor técnico (Roberto Rivellino) não ia ao jogo. Se fosse o diretor financeiro, administrativo, supervisor ou coisa parecida, ainda vá lá, mas o técnico! Ele tem que estar ali!

Na verdade eles estavam procurando um nome de respeito, de credibilidade para ficar com a cabeça na guilhotina a cada jogo. Quando tentavam me impor alguma coisa, como escalação de jogador, eu mandava ir conversar com o Dualib, porque comigo eles não iam se criar. Eu pedi os reforços e a diretoria disse que não dava. Como eu ia levar aquele time com garotada subindo e os mais velhos com preparo físico pior do que o meu? O problema ali foi que eu não tive respaldo, alguém para brigar junto comigo.

Quando saí me chamaram de maluco. Mas eu não podia dar o que o Corinthians queria de mim. Sete meses depois disseram que eu tinha bola de cristal, porque o time, com as contratações “maravilhosas” que eles fizeram, quase foi rebaixado no Paulistão.

O dirigente

Em 2004 eu também fui pelo projeto do Fla Futebol, mas o Márcio Braga (que encontramos no mesmo bar um pouco antes) afinou. Dirigir por dirigir não me interessa. Eu queria organizar as coisas, ser o diretor técnico, trazer o meu treinador. O Abel me é grato até hoje, porque a carreira dele estava na descendente. Eu dizia que eu é que devia me expor e não ele.

Faltou a Copa do Brasil. Se vencesse ali, o projeto decolaria e o Flamengo hoje poderia estar em uma situação bem diferente. O Fla Futebol foi o primeiro trabalho em todos esses anos que deu lucro, foi superavitário. Mas aquela derrota abriu espaço para que começassem a interferir no trabalho dos profissionais.

Eu sou a favor da profissionalização dos dirigentes de futebol porque se o cara não corresponder, ele é demitido, como em qualquer empresa. O amador faz o que quer, normalmente não tem a qualificação para estar ali e, quando sai, não muda nada para ele. Já para o clube...

Mano Menezes

É disparado o melhor treinador no Brasil e o melhor técnico brasileiro. Hoje ele está acima do Luxemburgo e do Muricy Ramalho. O Scolari é ótimo, mas quem está na crista da onda é o Mano. Uma coisa é você pegar o Palmeiras da Parmalat nos anos 1990 com Roberto Carlos, Rivaldo, Edmundo, Evair e Djalminha. Outra muito diferente é trabalhar com Alessandro, Chicão, William, Elias, Jorge Henrique e Dentinho. E o cara fez o time jogar. E com ele não tem saia justa, responde a todas as perguntas com segurança. É um cara que tem liderança, não fica mudando o time toda hora e faz observações durante o jogo.

Corinthians 2009 / Flamengo 1992

O Corinthians de hoje é o Flamengo de 1992. Disse isso antes dos títulos e repito agora. É um esquema muito semelhante. A diferença é que aquele Flamengo tinha bons jogadores no elenco para fazer aquela função pelos lados. Paulo Nunes, Nélio, Marcelinho Carioca e Júlio César podiam jogar nas duas pontas. O Djalminha também, mas ele era mais um meia, ficava na reserva do Zinho. E esses caras eram rápidos e sabiam marcar.

Enfrentar um time com três na frente é complicado porque você precisa plantar quatro jogadores atrás e acaba abrindo o meio-campo. E aí eu ganhava espaço. Quando o Flamengo enfrentava equipes com quatro jogadores no meio eu recuava para buscar a bola e liberava o Uidemar. O nosso Douglas era o Zinho, e não eu, que não tinha mais condições físicas de ficar de costas para a bola com um cara no meu ‘cangote’. Então recuava para armar de trás e o Zinho ficava mais à frente, perto dos atacantes.

Na primeira final do Brasileiro contra o Botafogo, o volante Pingo foi orientado para me marcar individualmente. Eu troquei com o Uidemar e aparecia na frente de surpresa para finalizar, como no lance do primeiro gol na vitória por 3 a 0 que praticamente nos deu o título.

O Fla multicampeão

O Flamengo de 1981 jogava em um 4-4-1-1 e o Tita e o Lico faziam função muito semelhante a dos pontas de 1992. O Zico era praticamente um atacante e o Adílio era o nosso condutor de bola. Se o jogo estivesse difícil, era bola no “neguinho”! (risos) E quando o Vítor entrava no meio-campo, o Adílio ia para o lado esquerdo e ninguém tirava a bola dele. E as pessoas achavam que jogávamos no 4-3-3, como as outras equipes.

O Zico foi o cara que, para mim, chegou mais perto do Pelé. Porque era um jogador completo: batia de direita, de canhota, cabeceava, lançava, passava e liderava. Em termos de malabarismo e improviso o Maradona pode até ter sido superior. Maradona era um carregador de bola, Zico era mais finalizador, decisivo. Ganhou todos os títulos possíveis em clubes e consagrou todos os centroavantes com que jogou no Flamengo.

Jejum de Brasileiros do Flamengo

Em primeiro lugar, aquele time dos anos 1980 não pode servir de parâmetro. Foi uma equipe de exceção, que de 1978 a 1983 ganhou quatro estaduais, três brasileiros, uma Libertadores e um Mundial Interclubes. Nove títulos em seis anos é algo muito raro.

E hoje basicamente o que falta é estrutura, principalmente um centro de treinamentos. Porque o jogador tem onde descansar depois do almoço, o treinamento em dois períodos rende mais. Com um CT, você pode fazer um treino realmente secreto, sem chances da imprensa conseguir filmar. Quem tem estrutura leva vantagem, sem dúvida alguma. E falta isso ao Flamengo, muito pela falta de seriedade dos dirigentes.

Holanda 1974

Foi o maior espetáculo tático e técnico de futebol que eu vi na vida. Muitos times pegaram conceitos daquela seleção, mas nenhuma equipe conseguiu repetir aquela dinâmica. E eles não venceram a Copa...

Dunga x geração de 1982

Eu acho que o Dunga ainda não tem os problemas da Copa de 1990 resolvidos na cabeça dele. Antes de vencer em 1994 ele sofreu quatro anos antes. E dizer que nós não éramos jogadores competitivos é desprezar tudo que ganhamos. Se pegarmos os títulos que eu, Leandro e Zico conquistamos no Flamengo já dá para ver que nós fomos competitivos e vencedores. E a maioria daquela seleção foi jogar na Europa e seguiu a sua carreira, ganhando títulos.

O time de 1982 encantou e ficou na memória dos brasileiros pelo estilo de jogo e pela alegria. É mais fácil gostar e achar bonito um meio-campo com Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico do que com Mauro Silva e Dunga. Era bem diferente.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

A seriedade é essencial para a vitória


Alguns times do futebol brasileiro deveriam olhar bem para o Cruzeiro e para o Corinthians (não estou falando do que o Ronaldo vem dizendo por aí, mas sim do trabalho da diretoria e comissão técnica da equipe) e tentarem se espelhar ou se inspirar.

Não vou citar nome de nenhuma outra equipe. Não é minha intenção nesse post, criticar especificamente time A ou time B. Mas quero sim, criticar algumas atitudes...

Imaginar que o jogo está ganho antes do apito final e preparar uma festa incrível no meio de uma fase decisiva é repudiável. Acreditar que está sendo desfavorecido por um suposto esquema contrário, também antes do campeonato chegar ao termino, preparar DVD, xingar, espernear, chorar e tudo que se tem “direito” deixando de lado o futebol, o dentro de campo, é vergonhoso e mais lamentável ainda quando a torcida do time que faz isso, entra na onda.

Querer deixar o oponente nervoso, ou diminuído tendo essas atitudes beira a imbecilidade.

Ao fato do festejo na hora errada, temos milhares de exemplos no futebol do quão errado é. E as reclamações antes do fim, muitas vezes descabidas, dificilmente são levadas a sério e frequentemente motivos de chacota pelas torcidas alheias.

E porque estou falando tudo isso?

Na final da Copa do Brasil vimos um esforço imenso por parte dos derrotados que não se chegou a lugar nenhum. Venceu quem jogou mais. Mas isso já foi falado por aqui...

Mais uma vez quero parabenizar o trabalho de Adilson Batista (estou me tornando um fã dele). Não estou aqui para dar o Cruzeiro como campeão da Taça Libertadores. Apesar de ser uma equipe superior ao Estudiantes, há que se respeitar o adversário. Argentinos na final desse torneio, nunca deixam barato. Porém, o Cruzeiro parece trilhar o caminho correto para a conquista do Tri.

Jogou firme. Jogou bem. Foi à casa do adversário e se impôs. Tudo bem, não venceu. Mas merecia. Ditou o ritmo da partida. E que bela atuação do goleiro Fábio!

Mas tenho certeza (e esse é o grande motivo desse post) que em Minas, mas precisamente na Toca da Raposa, ninguém vai dizer que já está tudo ganho. Não vão cair no erro de se menosprezar o adversário. Não vão fazer as burradas que vimos serem feitas na final desse mesmo campeonato no ano passado...

Assim deve ser tratada uma final de Libertadores. Sem brincadeira. Sem se achar o máximo. Sem se achar vencedor antes do fim. Afinal, a seriedade pode não ganhar um jogo, mas ajuda bastante. Da mesma forma que o oba-oba atrapalha demais.

[Foto: Terra]

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Ronaldo e o "trabalho certo" do Timão



Após a presença de Ronaldo no Bem Amigos do canal Sportv, mais uma vez me veio uma questão: O Fenômeno teria acertado com a equipe paulista procurando uma seriedade e estrutura que ele não encontraria no Flamengo?

Não tenho dúvidas nenhuma que o atual presidente do Corinthians melhorou bastante a estrutura administrativa do clube. O Dualib era um câncer pro Timão.

E o Ronaldo, nesse casamento com o Corinthians, encontrou tudo o que precisava, pelo menos até o momento, como apoio e tempo para se recuperar.

Mas para falar em seriedade no clube, vamos ter que ver, após a saída do centroavante, como vão caminhar as coisas. Se o clube se mantiver auto-sustentável, aí sim. Mas se o Ronaldo sair e o clube entrar de novo em paranóia financeira, ai a seriedade vai pro ralo.

Acho que ninguém tem dúvidas que essa onda de "trabalho certo" no Corinthians se deve ao retorno financeiro em cima do Marketing no Fenômeno... A parte que compete única e exclusivamente aos diretores corintianos, fica em segundo plano, nesse caso.

O trabalho na série B foi sensacional. Vários fatores. O Andrés Sanchez já começou acertando na contratação do técnico. Daí pro time jogar certo foi um pulo...

Mas convenhamos... Até pouco tempo atrás, o Timão era só lamentações pela "pancada" levada da MSI. Impossível isso não ter deixado rastros nas finanças...

Mas tudo bem, com o Ronaldo vai correndo tudo dentro dos eixos. Pelo menos aparentemente.

Mas quero ver, um ou dois anos após a saída dele. Se o Corinthians continuar fazendo o trabalho certo e não entrar em nenhum desastre financeiro, eu, no mínimo, vou escrever um texto exaltando o maior dirigente da historia do esporte brasileiro, que vai ser o Andrés Sanchez...

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E ontem tive o prazer de ser entrevistado pelo amigo Luis Barreiros do site AquaClean. O tema da entrevista foi a importância da preservação da água. Clique aqui para conferir a entrevista e conhecer o site.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Torcida gremista faz festa, mas Cruzeiro vence



Apesar do Cruzeiro sair vitorioso, a torcida gremista deu um verdadeiro show de amor incondicional ao clube. Cantou, apoiou, vibrou e empurrou, mesmo na derrota. Eu sempre digo que se fosse jogador de futebol, teria vontade de jogar em dois clubes: Flamengo, por ser o meu time e Grêmio, por ter a torcida que tem.

Mas menções à parte da torcida, o jogo em si ilustrou bem os respectivos casos dos clubes. O futebol brasileiro vai bem representado pra final da Libertadores desse ano. Sem dúvida nenhuma o Cruzeiro figura entre as melhores equipes do país. A meu ver, é a mais completa. Tem uma defesa que não compromete; um meio campo rápido, dinâmico e equilibrado e no ataque, tem Kleber, que apesar de ser violento em algumas vezes, está sempre marcando os seus gols. No banco há a figura de Adilson Batista que assim como aconteceu comigo, deve ter acontecido com várias pessoas, que desconfiaram quando ele chegou à Raposa, mas hoje se obriga a reconhecer que seu trabalho atingiu um nível satisfatório de excelência e é um dos melhores do país.

Quanto ao Grêmio, foi bem na competição. Por seu espírito “copero y peleador”, no começo da Libertadores, depositei minhas fichas no Imortal para ser o brasileiro a ir mais longe. No meio do torneio, Celso Roth saiu e o time ficou nas mãos de Marcelo Rospide e depois Paulo Autuori assumiu. Não quero dizer que isso tenha sido determinante para a eliminação (repito: o Cruzeiro é um time que vem jogando mais), mas acredito que a sequência do trabalho, mesmo que fosse com o Rospide, poderia ter ajudado mais ao time para chegar à final, como eu imaginei que pudesse acontecer.

E eu espero, sinceramente, que os casos de racismo, tanto do branco contra o negro, como do negro contra o branco, seja extinto de vez do futebol, que é um esporte imenso, gigantesco e por isso, não pertence somente a uma ou outra raça, senão a todas.

[Foto: Uol]

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Corinthians. Campeão moral, teórico e prático.


No Campeonato Brasileiro de 2005, Corinthians e Internacional disputavam palmo a palmo a conquista daquele torneio. Essa competição ficou marcada nos arquivos dos Brasileirões, como o da corrupção dos árbitros. Rapidamente, podemos lembrar o caso de Edílson Pereira de Carvalho, e “seus jogos faturados”. Outra situação marcante, foi logo após o titulo corintiano, o então presidente do clube, Alberto Dualib, falar sobre um possível esquema de favorecimento para o Timão. Na partida entre essas duas equipes ainda naquele torneio, todo mundo viu um pênalti do goleiro Fabio Costa, no meia colorado Tinga. Bastou para começar todo um reboliço em volta da integridade do árbitro Marcio Resende de Freitas, que além de não marcar a penalidade, expulsou o jogador do Inter. Ao final do ano, e do todo o disse-me-disse, o senso comum decidiu o seguinte: Corinthians campeão teórico e Inter campeão moral.

Nesses últimos dias que antecederam a segunda partida da final entre os mesmos Corinthians e Internacional, o vice-presidente de futebol colorado, Fernando Carvalho, produziu um DVD com lances duvidosos que demonstraria “novamente”, o Corinthians sendo favorecido pela arbitragem. Esse vídeo foi parar no YouTube, e realmente são lances no mínimo, polêmicos. Mas será que é o bastante para acreditarmos em esquema pró-Timão? Em se tratando de futebol brasileiro, erro de juiz é algo em que vemos em abundancia, sem distinção de clube.

Agora vamos aos fatos dentro de campo nos jogos dessa final. A primeira partida que aconteceu no Pacaembu, foi apitada por Heber Roberto Lopes e terminou 2x0 para a equipe paulista. O Internacional teve dificuldades para atacar e o time de Mano Menezes estava bem postado na defesa, marcando forte. Outro fator: havia sérios desfalques na equipe gaúcha. Os jogadores mais importantes não atuaram. Casos de Nilmar, D’Alessandro e Kleber. A derrota colorada por 2x0, diante dessas circunstâncias, se deu resultante de um roubo por parte do árbitro do Paraná?

No jogo de volta, um jovem árbitro, Ricardo Marques Ribeiro (MG), ficou encarregado de comandar esse jogo, que foi mais um daqueles que antes mesmo de a bola rolar, já ganhava contornos de guerra civil. Poderíamos aí, questionar uma situação: Como deixar um jogo de suma importância nas mãos de um jovem desconhecido? Entretanto, fato é que ele pertence ao quadro da FIFA. Pouco? Esse é o máximo que um juiz de futebol pode chegar...

Analisando a partida desta quarta, observaremos que foi um jogo que mexeu com os nervos dos jogadores. Não tinha como ser diferente. Todos agiram levando em conta seu instinto, tomando decisões, ali, no momento. Inclusive os técnicos: Mano Menezes e Tite, que acabaram expulsos. E os jogadores, D’Alessandro e Elias, que também deixaram o campo com cartão vermelho. Daí tirar conclusão de esquema para favorecer o time que se sagrou campeão, não seria exagero?

Vale ressaltar que o Fenômeno perdeu duas chances claras de gol. Falha no sistema defensivo do Inter, que permitiu o centroavante adversário receber a bola em condições. E por outro lado, e do outro lado, Nilmar, também perdeu sua chance sagrada, cara-a-cara com Felipe, chutando a uma altura que permitiu com que o arqueiro corintiano espalmasse para escanteio. Erro ou azar do atacante colorado. Tanto faz.

De certo, que o resultado poderia ser outro. O Inter podia dificultar mais na primeira partida, se fosse mais competente. Se tivesse seus principais jogadores em campo. Mas também poderia nem passar das quartas de final. Lembrando que o gol da classificação, naquela etapa da competição, contra o Flamengo, veio no finalzinho do jogo.

Alguns torcedores, viciados na crença da teoria da conspiração, podem jurar, inflamados como uns fanáticos religiosos, que a CBF deu o título dessa Copa do Brasil para o Corinthians. Eu, como simples mortal, antes das finais, suspeitei que algo pudesse acontecer. Mas, como sempre, me sinto obrigado a analisar os fatos antes de concluí-los. Pra mim está claro, o Timão foi melhor. Mereceu e venceu.



Parabéns ao Sport Clube Corinthians Paulista pelo título da Copa do Brasil 2009!!!


[Fotos: Terra e Globoesporte.com]

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Júnior, ídolo do Mengão!


No dia 29 de junho, Júnior, ex-lateral esquerdo e meio campo do Flamengo, completou 55 anos de vida. Um dos melhores jogadores futebol de todos os tempos, entre os três maiores laterais-esquerdos do mundo, e um dos grandes ídolos da história do clube mais popular do país. Para ser mais exato, o maior ao lado de Zico.

Integrou a geração mais vitoriosa da história do rubro-negro ganhando todos os títulos possíveis na década de 80 e é o recordista de partidas oficiais pelo clube, com 857 jogos. Na quinta conquista flamenguista do Campeonato Brasileiro, Leovegildo Lins da Gama era o comandante do time dentro de campo.

Fez também parte de grandes elencos da Seleção Brasileira. Participou das Olimpíadas de Montreal em 1976 e das Copas do Mundo de 1982 e 1986.

Para algumas pessoas, quando se fala em ídolo do Flamengo, logo vem à cabeça a imagem de Zico. Sem dúvida nenhuma, o Galinho foi o grande jogador que o clube carioca já teve, e sua história no futebol se entrelaça, em muitos capítulos, com a história do Clube de Regatas Flamengo. Para os torcedores, quando o assunto é a política do clube, essa história deve voltar a se misturar nos capítulos futuros.

Entretanto, é importante que sempre tenhamos em mente que essa turma vitoriosa que despontou na Gávea e conquistou o planeta lá no outro lado do mundo (em 1981 no Japão) teve outros responsáveis pelas glórias que fizeram do Fla um dos clubes mais vitoriosos do futebol brasileiro.

Há uma lista de importantes nomes como Adílio, Andrade, Tita, Raul, Nunes, Carpegiani e tantos outros. A soma de todos esses profissionais e pessoas que se comprometeram com o rubro-negro na sequência dos anos que o integraram foi um fator primordial para a estrada que percorreram. E Júnior, assim como o Galinho de Quintino, foi um respeitável destaque desse verdadeiro esquadrão de ouro (ou preto e vermelho).

Assim como eu, acredito que todos os rubro-negros o tenham entre os primeiros nomes na lista de ídolos. Somos sortudos por termos em nosso time a formação da geração mais impressionante do futebol em nosso país. Na Seleção Brasileira, o técnico pode olhar os jogadores e escolher os melhores. Num clube, não é assim que a coisa funciona. Existem e são necessários vários fatores para que se possa formar um time competitivo.

Da base rubro-negra, já veio a espinha dorsal que trouxe o caneco de campeão mundial. E o nosso eterno Júnior fazia parte dela. E escreveu sua história durante vários anos, dando uma cartada final como jogador, sendo o principal destaque, no último título brasileiro, deixando por anos e anos o Fla como maior vencedor de Brasileirões.

Fica aqui um obrigado ao “Capacete” pelo empenho em ter feito meu time ser um dos maiores do Brasil até o dia de hoje. Da mesma forma que nós rubro-negros fomos e somos felizes por relembrar todas as glórias do clube, que ele também seja feliz por toda a sua vida.

Obrigado, Júnior!

Domingo, 28 de Junho de 2009

Transformers: The Revenge of the Fallen

Escrito por Efraim Fernandes

Mesmo com as críticas negativas que o filme recebeu e da reclamação do senhor explode-explode Michael Bay a Paramount quanto à fraca divulgação do mais novo blockbuster do pedaço, uma coisa é inegável: o diretor faz jus à reputação que porta.

Quanto a essa reclamação, Bay pode ficar mais tranqüilo já que o mais novo trabalho do piromaníaco diretor quase bateu O Cavaleiro das Trevas como o filme a alcançar a marca de 200 milhões de dólares mais rápido. Sem falar que o longa estreou em 58 países e desde seu debute, dia 23 de junho, já alcançou a cifra de 363, 2 milhões de dólares no mundo!!! Imagina se houvesse uma forte campanha aos olhos do diretor.

Antes de começar, um aviso a você, leitor, é que o texto a seguir pode conter spoilers. Continua ai? Beleza.

Há dois anos Shia Labeouf era um nome a se guardar. Hoje, ele é um jovem de 23 anos vivendo na crista da onda de Hollywood, assim como a belíssima Megan Fox. Ela, no primeiro filme era só decotes, um belo par de olhos, barriguinha tanquinho, caras e bocas. Na seqüência não poderia deixar de ser diferente, vide a cena em que a nossa raposinha está montada numa turbinada moto, trabalhando numa oficina mecânica. Mais sexista do que isso, impossível. A ordem é atrair o máximo de público possível – entendam como homens, mesmo.


Vamos à pergunta central. Revenge of the Fallen é melhor que o primeiro filme?


A resposta é sim. Porém, isso vai gerar discussões já que se vê na tela a todo o momento as coisas extraordinárias da aventura de 2007, só que em maior escala. Mas isso não quer dizer coisa boa, já que o ponto negativo é tudo estar em demasia. Logo, as ‘falhas’ do primeiro filme podem ser mais gritantes na segunda parte. Uma reclamação de alguns eram as lutas entre os robozões muito rápidas e pouco nítidas. Neste não é diferente. Porém, Bay concentrou-se um pouco mais nas expressões faciais e gesticulações dos robozões, e quer saber? Ponto pra ele!

O filme tem lá seus excessos, é uma verdade. Por exemplo, entrou para o livro dos recordes por conter em uma cena a maior proporção de explosões já feita num longa metragem. E mais, as constantes piadas entre os robôs gêmeos - que tiveram um toque peculiar com a dublagem especialmente feita para nós, os brasileiros -, o pequeno robozinho com desejos sexuais pela ‘deusa guerreira’ Mikaela, e por ai vai.

Tem a cena em que vemos a bunda de John Turturro antes de ‘comandar’ uma invasão a nada mais e nada menos que ao museu Smithsonian com três adolescentes e uma arma de choque, acabando por desacordar todos os seguranças e despertar Jetfire, o Decepticon ancião vira-casaca, sem serem pegos!

Mas o ponto certeiro da película é o aprofundamento na mitologia dos seres autômatos de Cybertron. Descobrimos logo de cara, na introdução, que a Terra já foi visitada há dezessete mil anos por eles. Como em Transformers, a narração em off de Optimus Prime, dublada competentemente e de imponência por Guilherme Briggs, que já nos brinda um clima de preparação. Sam vira alvo dos robôs do mal, principalmente de Fallen ansiando por vingança contra Optimus - daí o título do filme -, e quer o garoto já que tem na mente todo o necessário para encontrar as origens do mundo deles, e a busca pelo Energon, a fonte de energia nunca antes vista.

O mundo agora sabe da existência dos robôs alienígenas, e o governo e militares acobertam tudo da melhor maneira que podem. Os Autobots nos últimos dois anos ajudam os militares do tio Sam e uma força militar internacional, eliminando Decepticons remanescentes nas várias locações do globo terrestre.

Enquanto o planeta sofre dessa paranóia, Sam se prepara para ir à faculdade e encara um modo paralelo de manter a relação fragilizada com Mikaela. Mais o que nunca duvidamos é que ele realmente é um cara normal. No quarto, seja o de casa ou da faculdade, pôsteres da banda The Smiths e dos filmes Bad Boys II e Cloverfield, sem falar nos pais corujas e bitolados do garoto. Um outro momento é a discussão da relação do casal, logo após a casa dos Witwicky ser destruída por Bumblebee na tentativa dele de salvar seu protegido que, aliás, já traz roupagem de ‘final round’ com a trilha instrumental e o grito “Bumblebee!”

Depois, a câmera circunda o casal se despedindo com aquela música emocionante já evidenciando clímax, como se estivesse na conclusão do filme, quando na verdade nem se passara 15 minutos de história. Falando em clímax, isso é uma coisa que vemos constantemente na aventura. É só começar uma luta entre os robôs e Steve Joblonsky não economiza na trilha sonora instrumental.

Seja um embate na floresta entre Prime e Megatron, ou mais ao final acompanhado de seguidas explosões em meio às areias escaldantes em White Sands, que serviu como locação do Egito.

Um outro ponto que corrobora com as más críticas são as pequenas forçações de barra. Ao chegar à faculdade, Sam tem como colega de quarto Leo (Ramon Rodriguez), que escreve para o blog sobre conspirações do governo. O tema recorrente do verdade.com eram alienígenas e a luta que travaram no fim primeiro filme e as recentes atividades em Xangai - uma grande cena de ação no começo.

O maior concorrente de Leo é o site do Robô Guerreiro, e, devido a uma conveniência do roteiro o tal concorrente é ninguém menos que John Turturro, reprisando o papel de Simmons, ex-agente do Setor 7. Agora trabalhando como açougueiro e morando com a mãe. Quando ninguém mais pode ajudar o protagonista, Simmons entra para ajudá-lo.

Mas é ai que há o alivio cômico na dupla Turturro e Rodriguez, ou nas cenas em que Sam vai surtando quando vê os símbolos antigos a cerca da origem dos transfomers, como na aula de Astronomia.

Porque tirar o chapéu para Michael Bay? Ele fez algo até então nunca realizado em um filme, de novo! Conseguiu permissão para filmar nas Pirâmides do Egito e na Esfinge nunca antes com tamanha proximidade, sem falar nas locações do Oriente Médio, suas formações rochosas e antigos templos, que são um belo atrativo na narrativa.

Os momentos finais são de deixar a boca aberta. Foi o que literalmente ocorreu comigo, principalmente quando Sam está a ter a experiência extracorpórea. Cena belíssima de texturas, cores, luzes e sombras.

Apesar dos pesares, Michael Bay é o mestre dos blockbusters, e o roteiro de Alex Kurtzman, Roberto Orci e Ehren Kruger, com a produção Lorenzo di Bonaventura e produção executiva de Steven Spielberg, traz um conto em que só precisamos nos acomodar na poltrona e desligar o cérebro. Tudo o que temos há fazer é curtir todos os mais de quarenta robôs, beijos apaixonados ao pôr-do-sol, silhuetas dos corpos ao horizonte, corridas em slow motions, ação em meio a uma cortina de areia atravessada por luzes, efeitos visuais, artilharia pesada e explosões do início ao fim. “Autobots, vamos rodar!”

A evolução do time de Dunga


O Dunga tem sorte. Isso é incontestável. Mas não dá pra achar que é só isso...

Ele é um cara inteligente. Sabe das suas qualidades e limitações. Ou por falta de conhecimento, ou por falta de criatividade, ele não impõe nenhuma variedade tática nesse time. Sempre termina o jogo com a mesma arrumação que começou a não ser mudanças como tirar um volante com características tais e colocar outro com diferentes características, como foi na substituição de Ramires por Elano. Ou então, colocar um destro na lateral esquerda, como foi na saída de André Santos para a entrada de Daniel Alves.

Mas aquilo que ele sabe, ele explora com maestria. Ele sabe mexer com o brio dos jogadores, ele consegue colocar a mão na consciência do time. A equipe voltou pro segundo tempo na final, com o mesmo esquema tático, sem nenhuma mudança, porém com uma atitude totalmente mudada. Radicalmente diferente. É nisso que ele se diferencia e aumenta cada vez mais o seu conceito como técnico.

E com relação aos jogadores, dois me surpreenderam positivamente: Felipe Melo e Daniel Alves. O volante mostrou qualidade na saída de bola e firmeza na marcação. O lateral, além de ser uma excelente opção em cobranças de falta pela esquerda, mostrou que pode, ao lado de Maicon, desempenhar com eficiência o papel de lateral direito na seleção. Eu achava que era absurdo ele ser convocado.

Já os casos de Kaká, Ramires, Júlio Cesar, Lúcio, Juan e Luis Fabiano, eu havia depositado todas as minhas fichas e não me arrependo. Dentro da minha visão, foram muito bem na Copa das Confederações. E se fosse pra escolher um jogador para não ser mais convocado, este seria André Santos. Definitivamente, ele não me convence.

Quanto aos EUA, uma zebra que comprovou sua qualidade. Apesar do início complicado na competição, teve uma enorme evolução na fase eliminatória. Não apenas pelos erros do Brasil, mas também por méritos próprios, complicou bastante a vida do Campeão Brasil no primeiro tempo. Mas prevaleceu a superioridade brasileira e a insistência de Dunga em apostar na mudança de atitude dos jogadores. Bela final e importante conquista.

A seleção pro mundial está quase pronta. O importante é não fazer oba-oba. Já ficou comprovado que isso só atrapalha.

[Foto: Globoesporte.com]

Sábado, 27 de Junho de 2009

Zebra com nome composto: Barueri-Goiás

Barueri 4x2 Atlético-MG



Ainda não aposto no Galo como campeão (ou não apostaria até essa rodada), mas apostei firme numa vitória atleticana nesse jogo. Mas também é preciso salientar, que o adversário deste sábado, apesar de pouca tradição na Série A, vem fazendo uma campanha digna de aplausos e merece que tenhamos certa consideração e até respeito.

A invencibilidade da equipe mineira foi quebrada. Inevitavelmente, lembramos do que aconteceu no Campeonato Mineiro deste ano. Bela campanha e humilhação na final. Um time que nada e morre na praia?

Há anos que o clube não vem tendo um desempenho no Brasileirão de acordo com a sua grandeza. Mas com uma bela arrancada no início deste, os torcedores começaram a imaginar resultados mais satisfatórios.

Da mesma forma que estava, e ainda está, cedo para traçar o time como aspirante ao caneco, também está cedo para dizer que já era e volta a ser um time que briga pela Sul-americana. Ainda acredito no Atlético-MG atrapalhando a vida de muita gente nessa competição e buscando algo a mais como uma vaga na Libertadores.

Botafogo 1x4 Goiás




E o clima vai ficando cada vez mais em chamas...

Não resta mais dúvidas. Tem coisas erradas no planejamento traçado pela diretoria no início do ano. Assim como o Atlético-MG, fez uma bela campanha no estadual e morreu na praia. Não foi humilhado pelo Flamengo, mas na soma dos acontecimentos das partidas finais, podemos apontar o time da estrela solitária com uma atuação dentro de campo, superior a do rival rubro-negro. Não foi campeão porque bobeou.

Mas no Campeonato Brasileiro, a coisa está diferente. O time não está bobeando, mas sim, enfiando os pés pelas mãos e se afogando na piscina da incompetência própria. Tudo bem que Maicosuel e Reinaldo fazem uma falta absurda. Era obrigação da diretoria buscar no mercado, alguém para substituí-los.

No meio, não estou falando de Lúcio Flavio. Enquanto perdeu-se um meia rápido e habilidoso, que fazia ligações com o ataque em jogadas de velocidade, trouxe um jogador lento que cadencia o jogo. Ser bom cobrador de falta e já ter atuado no time, não é o bastante. Não está sendo o bastante. E se Reinaldo está entregue ao departamento médico e não há alguém no elenco que possa substituir, os dirigentes tinham que encontrar alguma solução. É inadmissível, um time do tamanho do Bota, perder os dois jogadores mais importantes do elenco, e ficarem "pausados" pro resto da temporada. Já passou o tempo de se ver que existem competições além do Campeonato Carioca.

Agora a pressão contra elenco e o técnico Ney Franco, tende a tomar proporções insustentáveis. Numa possível demissão do treinador, pode-se haver uma ilusória solução dos problemas à curto prazo. O time continuará carente na armação das jogadas e sem aquele segundo atacante para jogar com o Victor Simões.

Botafogo e Galo vão ter que pôr a cabeça no lugar e rever alguns conceitos. Os cariocas precisam reagir, e os mineiros não podem deixar que reajam contra o momentâneo líder.